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Pela metade

Tudo que eu queria era me sentir amada. Não do jeito que você acreditou que seria, mas da forma que eu precisava. Não da maneira que você pensou ser a correta, mas com os elementos que eu sempre quis.

Nosso amor foi um copo com água e óleo que não se misturam. A gente até tentou, mas é impossível mudar o imutável. Transbordamos, não da forma que eu esperava, mas de um jeito que bagunçou tudo ao redor.

Foi mais de você ou mais de mim. Nunca na proporção ideal. Nunca no equilíbrio que eu precisava.

Nós transbordamos nas surpresas que você não fez. Nas vezes que eu não soube ouvir. Nas flores que não me deu. Nos dramas que minha cabeça inventou. No recomeço, escrito em um bilhete há 6 anos atrás, que virou apenas promessa em um papel. Nas vezes que eu não agradeci os esforços. No romance de contos de fada que você não queria seguir. Nas brigas que eu exagerei. Nas cartas que você nunca escreveu. Nas nuances que eu nunca percebi. Nos floreios de momentos simples que você nunca enxergou serem necessários. Nas marcas de etapas e inícios que nunca foram celebradas.

Talvez eu quisesse o que você não podia dar. Talvez tudo isso fosse demais. Ou, simplesmente, talvez seu amor não seja igual o meu.

Eu me anulei tentando caber em um espaço que não era pra mim, com formatos que eu nunca conseguiria me desconfigurar para passar. Deixei de esperar o que acreditei merecer por vivenciar um formato de amor que não era meu. Não encontramos o nosso no meio. E, assim, transbordamos.

Meu maior desafio sempre foi chegar em um meio termo. Um pouco de romance na rotina exaustiva. Um pouco de rotina na minha bagunça. Algo inesperado de vez em quando, sem precisar de grandes alardes na véspera.

Eu não consegui encontrar esse ponto que ficava bom pra nós dois. Um meio do caminho que não era tão confortável, mas nem tão incômodo. Não sei se deveria ter deixado assim mesmo ou abandonado o caminho logo no inicio. Não sei se a solução está na próxima via ou se ela nunca virá. Eu não sei se desisto ou se tento mais uma vez.

A única coisa que eu sei é que cansei de me perder. Cansei de me dissolver em frações de momentos que não eram para mim. Cansei de me anular e duvidar se eu realmente mereço o que eu quero. Cansei de me culpar ou me sentir inferior. E não sei se consigo mais esperar, porque é isso que tenho feito desde que entrei nessa rota.

Teria sido incrível se a gente encontrasse o meio do caminho. Mas acho que, no fim das contas, nenhum de nós quis se aventurar, mesmo que pela metade.

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