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Nossas folhas em branco

Eu queria voltar naquele primeiro momento em que nossos olhares tímidos se cruzaram. Quando não havia muito de mim em você, nem de você em mim. Naquele instante quando eu não sabia se te abraçava ou se ficava quieta. Quando éramos duas folhas em branco, prontas para serem escritas. Naquele momento posterior quando senti segurança para chegar mais perto – e que cheguei mais perto. Quando a gente sentou frente ao pôr-do-sol e eu jurei que seria assim para sempre. Fácil, leve, autêntico.

Juntos, nós começamos a usar as folhas em branco. Escrevemos, desenhamos, rabiscamos. Relatamos nosso diário. Registramos nossas memórias por meio de frases, fotos e canções. Vivemos várias primeiras vezes juntos. Criamos lembranças que existem só para nós. Outras que também existem por aí: em cadernos, em imagens, em textos, na internet, nas interações.

Eu queria voltar no tempo. Sabe, quando eu era só uma folha em branco. Sem marcas, sem rasuras, sem amassados. Sem rabiscos vermelhos, pretos e azuis. Sem pedaços faltando. Queria ser uma folha limpa, inteira, pronta para ser escrita de novo. Renovada. Sem precisar procurar espacinhos ainda em branco para escrever.

Sem ter o trabalho para pensar em que espaço escrever.

A vida tratou de mudar muitas coisas. Deixou marcas. A maioria delas, eternas. Umas, invisíveis. Outras, nem tanto. Algumas eu guardo dentro de mim. Mas há aquelas por aí, me mostrando memórias que eu gostaria de evitar. Que eu gostaria de voltar no tempo e, pelo menos, tentar fazer diferente.

Que eu gostaria que não existissem.

Não sei se temos prazo de validade. Se vamos nos transformar em outras folhas em branco, prontas para serem escritas, ou se teremos que conviver com as rasuras. Não sei se consigo passar um corretivo por cima e esperar que o líquido seque. Não sei se consigo arriscar que, no futuro, ele se desfaça, me lembrando de tudo novamente.

E eu não sei se consigo passar por mais rasuras. Não quando, todos os dias, cada pedaço da minha folha vai ser amassada. De novo. De novo. De novo.

E de novo.

Sinto que há uma tatuagem com o nome de um ex em mim. Daquelas que a gente evita olhar, mas sabe que está ali – marcando a pele, machucando, nos lembrando de tudo. Fazendo-nos reviver na memória tudo o que aconteceu a cada vez que nosso olhar capta aquela marca. Está no sangue. Em nós. A gente esconde, tampa com a blusa, mas está ali. Evitar não ajuda. Apagar dói. Mas é preciso.

E eu não sei se quero passar pelas sessões.

Gostaria que fosse diferente. Que a gente voltasse lá no começo e fizesse tudo de novo. Sem precisar viver alguns momentos, evitando outros. Que eu pudesse estar mais inserida em você, pelo menos da forma que você está em mim. Que nós fossemos mais flores, mais doces e momentos. Mais fáceis. Mais aqueles dois que, lá no começo, começaram a se encontrar.

Hoje não. Hoje estou perdida. Confusa. Mas preciso sair do cruzamento.

Só não sei quando. Nem como.

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